
Ter um cão de guarda é uma grande responsabilidade. Muitas pessoas não tem ideia dos cuidados que devemos ter, ou simplesmente negligenciam esses cuidados. Os erros começam muito antes de se adquirir um cão que será estimulado a desempenhar essa função. Geralmente, a ideia de ter um cão de guarda começa após um problema ocorrido por falta de segurança, pode ter ocorrido na casa de quem vai adquirir o cão ou num local próximo.
O primeiro passo é tentar descobrir quem tem um cão muito bravo para doar e só depois adquira um cachorro que possa guardar sua casa ou estabelecimento. A primeira opção é ainda mais perigosa e, na maioria das vezes, termina, com maior frequência, em acidente, pois a pressa em ter um cão para tomar de conta de um território deixa a pessoa com apenas um objetivo: ter um cão que acabe com qualquer ladrão que tente entrar na casa.
Essa pessoa não imagina que o cão que está por vir já é adulto e com histórico de agressividade e, muitas vezes, está sendo doado por apresentar dificuldades em ser manuseado e que ele não mudará sua postura quando chegar a sua residência ou empresa e com um agravante: dificilmente ele terá algum respeito ou afeto pelos novos tutores.
No final, esse cão já bem problemático vai terminar na mão de um tutor inexperiente sem nenhuma noção de como lidar com cães agressivos, essa é uma mistura realmente explosiva, cujo resultado todo mundo já pode imaginar.
Quando o assunto é aquisição de filhote para guarda, a situação não melhora muito. Começa com uma pessoa sem a menor noção do que é um cão de guarda e nem o que procurar nesse cão, a menos que seus pais sejam assustadores, com cara de poucos amigos. Os comentários são sempre os mesmos: “olha só essa cara de bravo. Quero ver quem vai querer encarar!”.
Depois de adquirir o filhote, começa a sequencia de erros. Assim que o pequeno chega na casa começam os planos para a criação da máquina de morder: brincadeiras de cabo de guerra, sessões de provocação afim de aflorar a agressividade no pequeno, entre outras coisas.
Após certa idade, o pequeno é retirado do convívio com a família e passa a ficar em um lugar isolado para que não faça amizade com ninguém estranho. Depois esse cão passa a ter uma vida de tortura psicológica: só come uma vez por dia e não vê quase ninguém. Ele não tem contato com outros cães, passa o dia trancado em locais pequenos e só é solto a noite e, muitas vezes, fica na companhia de uma pessoa que é paga para ficar hostilizando-o com o intuito de comprovar sua eficácia na função de guardião.
O que a maioria das pessoas desconhece é que um bom cão de guarda é aquele cão que sabe diferenciar uma situação de perigo de uma simples expressão de felicidade, como uma brincadeira ou um abraço no amigo.
Cães muito agressivos, que tentam agredir as pessoas e outros animais mesmo que não ofereçam perigo, precisam de treinamento e orientação. Eles são armas potencialmente letais, com agravante, pois não tem gatilho e podem disparar sozinhas. Esses tipos de cães não são uma ameaça para outras pessoas e outros animais. Na maioria das vezes, os acidentes evolvem as pessoas que estão no ambiente em que ele vive.
Um peludo treinado para agredir pessoas não sabe a diferença entre um bandido e o filho do tutor que ele nunca viu. A diferença entre seu parente, que vem duas vezes por ano na sua casa, e um estuprador, ou a diferença entre uma pessoa mal intencionada e um funcionário ele somente reage de forma agressiva. O cão aprendeu defender seu território de invasão, sem identificar quais pessoas são boas e quais devem ser afastadas.
Não menos trágica é a situação de cães de raças ditas agressivas, o que contesto muito. Não existe nenhuma raça de cães totalmente agressivos ou tão somente dóceis. O que temos na verdade é um número maior de exemplares agressivos em uma determinada raça, mas isso não quer dizer que não podem sair exemplares tão dóceis quanto os de raças populares por sua calma e obediência.
E esses cães nas mãos de pessoas que têm a intenção de ter um animal hostil são submetidos a treinamentos cruéis para tirar deles a agressividade. Quando os peludos não servem mais, acabam abandonados e taxados de covardes e imprestáveis. Por isso, se por algum motivo você precisar de um cão de guarda, procure ajuda de profissionais que possam orientá-lo sobre a melhor raça a escolher, treinamento e convivência com esse cão.
Tenha sempre em mente que um bom cão de guarda tem que ser carinhoso e obediente com todos os membros da família, e desconfiado com estranhos quando seus tutores não estivem nas proximidades. Um bom cão de guarda deve ser muito socializado para que não se assuste ou agrida alguém ou alguma coisa somente por não conhecer a pessoa estranha ou por estar assustado.
Seu cão é um membro da sua família e vai defendê-la por amar vocês, mas que ele também pode ser ferido por isso. Pense que ele é o melhor e intransponível dispositivo de segurança. O peludo faz parte da segurança, muros e alarmes vão ajudar a proteger sua casa, e que o seu amigão pode dar a sua vida para proteger a sua. Cuide do seu mascote da mesma forma como ele cuidará do seu sono e da sua segurança! |